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ESPAÇO ENTREVISTA

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Senhor João Costa Alegre, Presidente do Comité Olímpico de São Tomé e Príncipe, tendo uma vasta experiência no dirigismo desportivo nacional e internacional, com certeza que ambiciona uma medalha olímpica para São Tomé e Príncipe, será nos jogos do Rio de Janeiro?

Qualquer dirigente desportivo, a sua maior ambição é chegar ao pódio. Nesta perspetiva é óbvio que também ambiciono um dia ver hastear a bandeira do meu país nesta grande montra mundial do desporto, que são os Jogos Olímpicos.

Esta caminhada será longa, mas nunca impossível, vamos galgando caminho, temos a certeza e sobretudo esperança que um dia esta medalha chegará.

Mas também sou humilde e tenho a consciência que ela só poderá advir de muito trabalho, com projetos claros e sérios, aproveitando todas as sinergias existentes no país e sobretudo se trabalharmos todos a volta de um projeto que deve ser nacional (governo, sector privado, sociedade civil etc.) e não de A ou B, evitando protagonismos cegos e desmedidos.

Para quem está no movimento desportivo e conhece a sua dinâmica nunca pode considerar qualquer projeto como impossível, por isso, estou convicto que um dia atingiremos este grande objetivo.

Mas para os Jogos do Rio de Janeiro, tenho que ser realista, nas atuais condições da prática desportiva em S. Tomé e Príncipe, os meios que são postos a disposição do desporto, torna esta tarefa quase impossível.

Uma glória Olímpica não se faz em quatro anos e sem meios, ela custa caro.

Como define as condições atuais para a prática desportiva existente no país?

As condições actuais para a prática desportiva no país são muito má, falta quase tudo até o mais básico.

As infraestruturas remontam da era colonial, que já não respondem as atuais exigências da prática desportiva.

A prática do desporto escolar e comunitário é inexistente, a população deixou de ter hábitos saudáveis como a prática de exercícios físicos, a disciplina de Educação Física nas escolas deixa a desejar, por tudo isso considero que as condições existentes não proporcionam um ambiente favorável para a prática desportiva.

Na sua opinião a que se deve na falta de apoio do governo ao desporto olímpico?

O desporto como fenómeno social na sua integralidade, pode ter uma importância na educação dos jovens, no laser, na iniciação aos hábitos desportivos - condição importante para prevenir a saúde, na criação de fluxo econômico e, entre outros, na construção de uma identidade nacional.

Mas o país é pobre, 90% do seu orçamento depende do apoio externo, a produção interna nem da para cobrir as necessidades básicas das populações, temos problemas com a saúde, com a educação, estradas e outras necessidades o que tem levado os sucessivos governos a dar prioridade a estas demandas relegando para o segundo plano o desporto.

Pessoalmente, considero um erro esta opção, mas é a que escolheram, e sendo assim quase nada podemos fazer.

Mas uma coisa é certa o desporto e as atividades físicas são hoje em muitos países considerados como investimento e não despesa nos seus orçamentos, tendo em conta a sua importância, a sua transversalidade, a sua contribuição no desenvolvimento e na imagem destes.

Para se estar de boa saúde, a prática de exercícios físicos, joga um papel importante.

Constituirá quase um crime pensar na educação das crianças sem se pensar primeiramente no desenvolvimento físico e motor das mesmas.

Se é o homem Santomense que deve estar no centro das nossas atenções, ele então deve constituir a nossa prioridade, e se assim é nunca podemos esquecer que ele, para servir a nação deve ser um homem saudável.

Na sua opinião, um projeto do centro de alto rendimento em São Tomé e Príncipe, pode ser uma mais-valia para o desporto olímpico?

É óbvio que é, e sobretudo quando hoje mais do que nunca devemos trabalhar em busca de vantagens competitivas que nos vão permitir melhorar as condições de vida dos nossos concidadãos e nesta perspetiva o desporto deve ser interpretado não somente porque proporciona bem-estar, mais também, como uma brilhante oportunidade para os governos para promover políticas.

O desporto deve ser visto como uma espécie de nosso Cartão-de-visita se pretendemos realmente escolher como nosso modelo de desenvolvimento o turismo e a prestação de serviços.

Assim, mesmo reconhecendo que o país vive imensas dificuldades, não podemos em nenhum momento negligenciar uma política desportiva coerente, sob pena de perdermos todas as suas vantagens competitivas no quadro das nações.

Pretende sensibilizar o governo para importância do próximo Jogos Olímpicos ser organizado num país da lusofonia?

Com certeza que tentarei no que for possível, sensibilizar o governo, friso bem tentarei, porque não depende de mim qualquer decisão. Pessoalmente penso que 2016 será uma oportunidade única para a comunidade lusófona lidar com uma organização de tamanha envergadura como são os Jogos Olímpicos.

Rio de Janeiro terá que ser referência e é nosso dever como lusófonos darmos todo o nosso apoio e se possível lutarmos para estarmos em massa ai mas com atletas de referência e qualidade.

Não será para breve que o mundo lusófono terá de novo esta oportunidade, pelo que devemos aproveita-la ao máximo.

Em termos estruturais como define as condições atuais do desporto santomense?

As condições actuais, refletem as mesmas carências que se vive no país.

Ao nível da Sociedade Civil, para além das tradicionais federações desportivas e como órgão complementar, o Comité Olímpico de São Tomé e Príncipe tem um papel preponderante no movimento desportivo do país, porque é o representante do Comité Olímpico Internacional, o que lhe pode permitir obter ajudas que podem ser distribuídas entre as diferentes federações e associações desportivas.

Mas entretanto, este depara com a ausência de um sistema desportivo nacional eficaz, com planificação, organizado e com controlo que o pudesse ajudar na criação e na gestão de sinergias.

As práticas desportivas são desenvolvidas sem qualquer articulação com as aulas de educação física e com os clubes desportivos.

Assim o sistema obriga a redobrar esforços para se avançar, mais sem certeza na obtenção de rendimentos.

Tomemos como exemplo as aulas de educação física, as condições em que são administradas são deficientes em relação aos espaços para estas práticas, o número elevado de alunos em cada turma, sem materiais e a ausência de objectivos claros e bem definidos que comprometem grandemente esta prática, o que reflete negativamente no desenvolvimento do desporto escolar.

Ao nível do desporto federado, a dinâmica dos contextos de competições força uma certa organização na prática do desporto.

O desporto em São Tomé e Príncipe é produto do esforço dos técnicos e dirigentes que por amor ao desporto não se deixaram desmotivar pelas dificuldades.

Outro problema prende-se com o parque desportivo nacional, este remota desde a época colonial. Já não respondem as necessidades atuais do país e encontram-se no mau estado de conservação.

As instalações desportivas em muitas escolas não têm nenhuma condição que permite a administração das aulas de educação física, nem a prática de qual- quer atividade desportiva.

A degradação da piscina oceânica é um obstáculo a aprendizagem da natação.

Os terrenos desportivos informais nos bairros não são bem estruturados, nem pelos organismos competentes, nem pela população que os utiliza.

Em suma, temos uma longa caminhada e muito trabalho se pretendemos que o desporto venha um dia a ser cartão-de-visita de São Tomé e Príncipe.

 

 

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